A vida na caixa e a vida nas gavetas

Sua vida toda cabe dentro de uma caixa?

Imagine uma caixa vazia. Agora comece a colocar coisas dentro dessa caixa: seu trabalho, família, amigos, espectativas, seus medos, suas derrotas e conquistas. Tudo enfim que compõe sua vida nesse momento.

Agora se pergunte: não é coisa demais para uma caixa só?

Essa é nossa vida moderna, tantos compromissos, assuntos, ações ao mesmo tempo que fica difícil saber o que priorizar. Some isso à  internet e a quantidade absurda de informações com as quais somos bombardeados diariamente e veremos que até inovações tecnológicas úteis podem tornar-se um obstáculo à produtividade, inovações e concretizações.

A primeira coisa a fazer é contextalizar tudo e trocar a caixa por gavetas (lembre-se, isso é uma metáfora). Depois você abre as gavetas segundo as necessidades, contextos e compromissos. Mais ou menos como o método gtd. Um método nada mais é do que a sistematização de algo, no caso ações necessárias para a evolução da sua própria vida.

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O importante é não abrir todas as gavetas de uma vez e organizar tudo com lógica de acesso. É a presença constante de espírito naquele contexto que o tornará produtivo.  Se sua cabeça não acompanhar o corpo, devaneando como nuvens ao vento, você perde o momento, o foco, o agora, já.

Se abriu uma gaveta, feche a outra.

Assim as coisas irão fluir para que a produtividade de fato ocorra em sua vida.

(by rose & rodguedes)

Empatas

277152_smiley_face4“I’ve got a feeling, a feeling deep inside, I’ve got a feelling, a feeling that a can’t hide, oh no”

Lembrei dessa música dos Beatles - I’ve gota a feeling, quando escrevia esse post, ela fala da subjetividade do sentimento. E me lembra qualidade de sentimento. Aquele que você sente e ainda não sabe de onde vem ou o que é.

Mas o post é sério: empatia. Ultimamente tenho vivido situações, no trabalho e na vidinha dia-a-dia que me fizeram pensar mais sobre isso. O quanto falta, de fato, entender sobre isso. E mais: viver o fato.

Empatia é a capacidade de entendermos o sentimento alheio. Você chega de manhã, nem olhou para o pessoal na empresa, na sala de aula, ou em qualquer lugar, e já sente o clima. Se está o de sempre, ou mais alegre, mais triste, mais sufocante. Esse “clima”, quem sabe, são as pessoas preenchendo o espaço com seus sentimentos.

Então você percebe tudo isso, significa que tem um bom nível de empatia. Mas o que faz com isso?

Essa característica em pessoas mais instáveis emocionalmente acabam repercutindo negativamente: tomam as dores, passam do limite, inflamam facilmente ou a depressão acontece. Mas pessoas mais autoconscientes de si mesmas são capazes de utilizar a empatia como uma ferramenta essencial no relacionamento humano.

Uma pessoa com ausência total de empatia é um espécie de autista. Não entende o sentimento alheio. Não discerne um olhar triste de um olhar feliz, uma expressão angustiada da tranquillidade evidente.

E aí entra o que me pega. O que me faz pensar bastante sobre isso e tentar buscar um equilíbrio. Porque caras que lideram equipes não podem ser autistas. Ao tomarem decisões que envolvem grupos, muitas vezes ser apenas lógico e racional é pouco. É preciso ser empático para ser assertivo. Essa é outra palavrinha chave, a real assertividade.

Ser um empata é sinônimo de saber lidar com pessoas. Até o herói imaginário Peter Petrelli, o empata da série Heroes tem um poder peculiar ele é capaz de assimilar os poderes alheios, mas na maioria das vezes não sabe lidar com isso.

Joseph Campbell batia nessa tecla quando falava da jornada do herói (está no livro o poder dos mitos, que todo líder deveria ler e refletir a respeito). Durante sua vida, o herói passa por provas que levam ao autoconhecimento, das suas limitações até suas melhores capacidades. Esse entendimento faz com que ele compreenda o universo além dele e o seu papel essencial nesse contexto. Os mitos nascem do que é humano.

Ser empata é essencial hoje como sempre foi na história humana, seja para contribuir na evolução das massas, seja para impedir de acabar em um calabouço (ou fogueira).

Em relação ao mundo dos negócios essa capacidade faz toda diferença, pois tratam-se pessoas. Sejam as que irão usufruir do serviço, produto ou inovação; sejam os que estão envolvidos diretamente no seu processo criativo. Esses últimos, a equipe criativa, é a manifestação humana da idéia em movimento.

É a empatia, em última instância, que irá criar um bom clima de trabalho. Criativo. Inovador. E é com base também nela que decisões deveriam ser tomadas. É preciso considerar o equilíbrio entre as necessidades de cada um e de todos, enquanto sistema humano. Necessidades, não desejos. O que é real, não caprichoso. O que realmente motiva uma evolução positiva.

Pessoas que não tem a capacidade de entender o outro em seu limiar, deveriam ficar longe dos cargos de liderança. São pessoas tão importantes quanto qualquer uma no contexto geral, mas a essas deixe-os tratarem das máquinas, dos processos impessoais. Pessoas e sentimentos devem ser tratados por pessoas com sentimentos (e discernimento).

Isso elimina os padrões repetitivos de comportamento, a rigidez que impede o novo de aparecer. Por isso o primeiro passo para ser inovador é reconhecer limites para superá-los, e suas necessidades, para que elas tanto nos motivem quanto deixem de ser impecilhos para o avanço.

É aí que nos abrimos para a mudança, que damos asas à verdadeira inovação, aquela que começa a partir de uma necessidade real, de um, dois ou de todos. Por isso que estar receptivos às diferenças e compreender o outro em sua particularidade é fundamental.

Então grandes parcerias surgem, projetos se complementam, objetivos em comum levam a grandes avanços, tirando-nos de nosso mundinho, pequeno, ansioso e solitário.

Inovação implica em interação. É a interação que gera evolução positiva e avanço humano. E de nada vale a inovação sem o humano. Ser empático é ser inovador.

Pois tudo é pessoal quando se é uma pessoa.

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