Quando o "what are you doing" do twitter ganha novas respostas

Porque a humanidade evoluiu em primeiro lugar? Por buscar experiências novas. Descer das árvores implicava em se arriscar, mas estar nas árvores era uma experiência já ultrapassada. O homem está em uma constante busca por novas vivências.

Se formos questionados sobre o que queremos, provavelmente vamos repetir o de sempre, o que é correto socialmente ou, aqueles mais rebeldes, o contrário do que é comumente desejado. Casa, comida e roupa lavada. Ter um filho, escrever um livro, morrer de tédio ou virar parte de algum grupo social revoltado. No fundo fica um vazio querendo ser preenchido. E a noção de que tudo isso já foi feito antes.

Nós queremos mesmo é ser surpreendidos. Instigados. Desafiados. Vivenciar coisas novas. E se não for por nós mesmos, se não temos suficiente capacidade de se auto-olhar e identificar a hora de mudar algo (seja em si, seja externo), tendemos a seguir o fluxo da sociedade.

Algumas pessoas aprenderam a quebrar o comum. É aí que o “what are you doing” do twitter ganha novas respostas.

Esse anseio tem dois lados da moeda. Um é o extremo da busca por coisas novas extrapolar o bom-senso e levar a vícios de comportamentos pra preencher esse “vazio de propósito” e carências ainda nem compreendidas. É aí que começam os comportamentos nocivos: consumismo desenfreado, excesso de velocidade, drogas, o mundo digital enquanto fuga de responsabilidades e por aí vai.

O outro lado é o próprio avanço da humanidade, as inovações de fato, a internet enquanto integração e fonte constante de geração de conteúdo, os exemplos são inúmeros. E temos também a famosa experiência do usuário.

É isso que algumas empresas entenderam e usam com maestria: criar novas experiências. O produto é apenas a ponta do rabo dessa experiência. Ela faz parte do produto.

Essa experiência não está na mente do consumidor e se você levar toda boa idéia para ser testada em grupos de opinião vai fazer o que sempre fez. Claro que sempre haverá público para aquilo que já é bom. Mas o grande negócio é gerar novas experiências. No caso da publicidade, o comercial da Sky com a Gisele é um exemplo de gerar novas experiências:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=nrmocXsOdz8&hl=pt-br&fs=1]

Pense: o que realmente é inovador? O homem de neandertal fez isso com o fogo, galileu com a luneta, a apple com o computador, o google com a internet.É sempre algo que está lá e precisa ser descoberto, aperfeiçoado e apresentado, surpreendendo a todos nós, meros mortais.

E falando em google, taí o vídeo do Larry Page (vi@updateordie) que me fez pensar nisso tudo:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=lfNayaL9MYc&feature=player_embedded]

“Os filósofos apenas interpretaram o mundo de várias maneiras. A questão é modificá-lo.” (Karl Marx em última tese contra Feuerbach.) via:heideggerianices


Neossinapses, velhos problemas*

backin

A verdade, a grande verdade, é que mudam as gerações, abordagens mas velhos problemas permanecem. A vontade de ter um sony walkman é a mesma de ter um iPod. O anseio pelo Atari rivaliza-se a febre pelos PS’s. Velhas necessidades, novos desejos. Novas sinapses para velhos problemas.

Essa é a natureza humana e inovação nesse caso é descobrir as pecularidades das manifestações, diante de novos contextos. Novos usos para velhos apetrechos. Novas abordagens sobre o mesmo tema.

Não vejo que haja algo inteiramente e totalmente novo. Percebo que existem sim novos olhares sobre muitas coisas. Novos olhares criam novas tendências, formas de interagir, ler, apresentar como ninguém havia pensado antes. Isso sim é totalmente novo. Isso torna o ordinário, extraordinário.

A gente inova a milênios. A natureza inova a milênios. O conceito se tornou popular em menos de uma década. Redescobrimos a inovação. A mesma que fez o Galileu criar a luneta, o homem usar o fogo e a roda, os agricultores plantarem feijão e criar a ferradura, a apple levar o computador para a mesa da sua casa.

Mas agora  todo mundo está lá, buscando, mergulhando no assunto. As empresas criaram diretores de inovação. E o salário é alto. O atributo natural, de desconstruir para criar novas idéias, foi, bem, inovado.

Fiquei pensando nisso tudo quando o nosso mascote desenhista, o Vincent “tininho”, veio apresentar uma música “fodástica” e me mostrou Sultans of Swing do Dire Straits.

Daí lembrei de uma sequência: eu ouvindo isso em vinil na década de 80, eu montando uma banda, eu e a galera tocando vários do Dire Straits, Led e afins em festas e etcs., eu comprando o CD “melhores músicas” do Dire Straits, eu baixando as músicas em MP3 para o Winamp, eu Blipando Dire Straits e eu blogando esse post. Ou postando nesse blog. Enfim. Ufa.

Mas eu acho que daqui a pouco vai cansar, enjoar, esse papo todo de inovação. E quando o assunto começar a ficar menos alarmado, aí sim, inovar será preciso, novamente.

*Título by @andresinkos do prontosurtei e @vincentNH valeu a ilustração ;)

Inovação evolucionista – a sapiência que faz evoluir

Nesses tempos onde Darwin está sendo (re)descoberto, muito andam falando de evolução associado à inovação. E parece que a relação é clara: a evolução é impiedosa com quem não inova.

evolucao

Ia escrever esse post falando de nossos primeiros antepassados e focado em inovação, quando li o artigo do Clemente Nobrega, que acompanho sempre na Época Negócios, sobre “A lição da pré-história”. Um pessoal foi pesquisar sobre porque os Neandertais começaram a desaparecer no decorrer de um período de 10 mil anos, justamente na época em que se encontraram com o Homo Sapiens. O resultado: os homo-sapiens souberam utilizar seus conhecimentos genéticos para se adaptar ao “mercado” da época, se especializando no que era essencial a sobrevivência.

Quando a gente fala em evolução, é fácil confundir algumas coisas. Primeiro a idéia que descendemos de macacos. Darwin nunca disse isso, temos sim antepassados em comum. A outra dúvida é de que espécies descendemos? De vários tipos. Não existia apenas um tipo de “homídio”, e sim vários, distintos entre si. Continue reading