As formas do conteúdo digital: importante é saber usar

Publicado originalmente no Clube de Criação Web

Hoje o @andresinkos, nosso publicitário digital aqui da agência, postou no twitter que “cada vez temos mais ferramentas do que conteúdo. #googlebuzz”

O que inspirou a frase foi o “bum” do googlebuzz na semana passada (ainda vou postar sobre isso por aqui) que veio somar mais uma ferramenta a um universo que já está saturado delas. Basta um acesso ao meadiciona.com e veremos como há coisas que até @OCriador desconhece.

O que nos leva a uma primeira constatação: na vida on-line você pode ser três coisas, um gerador de conteúdo, consumidor de conteúdo ou os dois. Um gerador de conteúdo sempre consome informação, mas o contrário nem sempre é igual.

Agora pense: para quem você está criando? Para quem consome, ou quem gera? Ou para os dois? E principalmente: você está usando a ferramenta certa? De que forma?

Houve um tempo em que tudo era site. Hoje a web é um emaranhado tão complexo quanto nosso DNA (ok, exagero) e ouso dizer que não entendemos ainda, plenamente, como criar usando a ferramenta correta.

Isso é legal de se ter em mente porque são outros tempos. As pessoas não mais apenas contemplativas. Então gerar um trabalho digital que é apenas um quadro pendurado na parede, sem permitir interação, é como o produto ruim com uma boa publicidade: a gente experimenta uma vez e não volta mais.

Conheço muito profissional bom de ferramenta e carente de conteúdo. Domine o conteúdo, encha-se dele, dentro e fora da web. Pesquise, converse, crie banco de dados de fácil acesso.

A web é uma extensão da vida real (o que é real?) e é como aquele palestrante que todo mundo já viu: se tem conteúdo e didática, poucos recursos bastam para cativar. Se não sabe nada, nem mesmo a melhor apresentação-animação-feito-em-flash-ou-keynote resolve o problema. Pelo contrário: dá sono. Acha-se até bonitinho, mas parte pra outra que a fila anda.

Simon’s Cat é um bom exemplo de interação. O layout é o perfeito casamento com o conteúdo. A atração é a personalidade de cada animação feita ali, então o esforço do web-designer é resaltar esse conteúdo, com um projeto gráfico que não ofusque e ao mesmo tempo agrade aos olhos.

O cara é ilustrador e animador, assim o site entra em concordância com aquilo que ele é e comunica nessa linha. Os produtos off line (livro) cria um vínculo real com aquilo que é virtual. Fez sucesso.

Outro exemplo legal é o que presenciamos na Social Media Brasil #smbr ano passado, com a apresentação do @gfortes (Gustavo Fortes da #Espalhe Marketing de Guerrilha). Ele resaltou que lá na empresa não interessa tanto você saber usar mac, pc, corel draw, adobe ou qualquer ferramenta. Isso é secundário no quesito comunicação. O que interessa é a idéia. E mostrou como a idéia é apresentada por eles. Animação feita com esboços no papel que vendem perfeitamente o que precisa: resultados.

Não estou fazendo guerra contra as ferramentas, veja bem, mas digo que, no quesito inovação, elas são parte do processo, mas não o principal.

Claro que saber usar bem um Photoshop vai fazer TODA diferença no final. Mas não é o principal. O principal é como você irá utilizá-la, para que, para quem e em que contexto.

O que nos leva de volta à questão inicial: mais ferramentas que conteúdo on line. É verdade. Por isso a importância de escolher bem.

Crie novas formas de usar o que existe, valorize o conteúdo, contextualize em função de quem irá acessar e seja alguém de idéias antes de mais nada, para uma vida digital criativa longa e próspera.

Esperando pra Ler

Essa semana pensei na possibilidade de adquirir o Kindle 2, da Amazon. Já utilizo no iPhone o Stanza e o ereader para leitura de livros. Mas quando vi as possibilidades que leitores digitais trazem, uma série de neossinapses borbulharam na cabeça.

Primeiro pela possibilidade não apenas de ler mas de marcar, copiar, pesquisar o livro, abrindo um leque de possibilidades para pesquisadores e leitores que buscam no texto não apenas entretenimento mas também incremento de conhecimento.

Levar toda a sua biblioteca pessoal pra viajar, trabalhar e passear também é um grande atrativo.

Chega de queimar a cabeça pra escolher que livro você vai ler nas viagens, ou nas férias. Leva todos eles dentro da mochila de uma vez só e pronto. Agora já dá pra ler isso aí na cama, no sofá e na cadeira de praia…

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Criar para Web

Publicado originalmente no Clube de Criação Web

O primeiro ano desse milênio foi também meu primeiro na área de criação de uma agência de publicidade de verdade, daquelas grandes, com clientes bem legais, pensando em institucional, varejo, promoção, endomarketing e por aí vai.

O ADSL tinha acabado de virar realidade pra alegria de muitos geeks. Mas ainda era muito caro e eu continuava me virando com internet discada. O “bug do milênio” foi um engodo, ninguém ainda falava de “geração Y” e blogs eram apenas diários pessoais.

A web ainda era bem uma 1.0, destinada na maior parte a sites nada arrasadores e interatividade ainda tropeçando. Todos sabiam que tinha potencial para negócios, mas apenas um pouquinho dele havia sido explorado.

Fazer dinheiro pela grande rede virtual ainda era uma noção a ser adquirida. Vender sites para clientes? Como assim? Não, mídia em rádio era mais garantido. As empresas de web estavam caminhando, timidamente.

Criar para web nem bem era uma opção em agências de publicidade.

Hoje os clientes rompem contratos com agências tradicionais para investir na dose certa em empresas mais enxutas e inovadoras, com foco principalmente em web e marketing de guerrilha. O que era seguro naquela época hoje é incerto. Os valores se inverteram.

Antes, e faz só oito anos, criar para web era limitado a uns poucos (bem poucos) que arriscavam sem entender bem aonde aquilo ia levar. Hoje se você não souber criar está fora do mercado. Naquela época a gente nem dava bola. Pra aquilo vingar ia demorar. Mas não demorou. Eu penso em internet discada, em telefone com fio, em TV sem cabo e tudo isso parece outra vida.

O sonho de consumo do Diretor de Arte era criar anúncios para revista, seguido de comerciais para TV, como era feito a algumas décadas. Era a menina dos olhos do criativo. Onde ele poderia utilizar toda a sua criatividade, técnica e poder de síntese para criar anúncios como os famosos “Think Diferent”, da Apple. Hoje criar anúncios ainda é legal, mas criar para web é muito mais desafiador. Instigante.

Tanto que revistas como a Trip e Tpm deram o passo já esperado: liberaram conteúdo na web. Não tem jeito, hoje tem gente que só lê se for na web. Não livros inteiros, mas coisas mais curtas, profundas em sua síntese. Ou não. Na verdade, pra maioria 140 caracteres por vez é o ideal. Outros, ousados e inovadores, souberam fazer do blog uma ferramenta além do diário pessoal. Virou negócio.

Estamos saíndo de uma mídia estática para outra interativa. Da página lida com calma em um sofá de clínica para os cliques frenéticos e a atenção dividida típica da geração Y, irritantes com suas pernas que não param de se mexer embaixo da mesa (estou olhando para o meu estagiário aqui do lado).

Desafio é fazer essa geração parar para olhar um anúncio em meio a um mundo de readers, blogs e twitters.

Antes a regra era emissor-código-mensagem-meio-receptor; hoje criar para web é comunicar para um receptor que também é emissor, com seu próprio código, sua versão da mensagem, seu meio de acessar outros iguais a ele.

Criar para web se mostrou muito mais complexo do que criar para revista, jornal, outdoor e afins, onde o terreno é conhecido e o efeito esperado. A web é inesperada.

Anúncios que viram virais, virais que viram ícones, ícones que marcam época. Época que duram apenas dias. Ou mesmo horas.

A web reiventou o conceito de momento. Tudo é dinâmico demais, virtual demais. É um mundo paralelo cada vez mais presente.

Andamos nas ruas vendo as placas da loja como se fossem links. Entrar é clicar. Experimentar roupas e interagir com vendedores é navegar. Sair sem comprar é comum.

A web imita a vida. E sua versão da vida é mais dinâmica, com muitos atalhos. Eu me pego pensando em dar “crtl-z” em meio a decisões erradas, em acessar meus favoritos para lembrar o nome daquela loja, em digitar no google de minha mente para encontrar respostas, enquanto ando pelas ruas urbanizadas com wirelles e 3G.

As duplas de criação e os open-spaces das agências, verdadeiras inovações do modo de se trabalhar em publicidade, estão dando lugar ao blogueiros, analistas de tendências e grupos inteiros de criação – sem necessariamente todos serem de criação.

É um organismo vivo apresentado virtualmente, dando vozes a podcasts e rostos a videos no youtube.

Agências virtuais, vejam vocês. Quem iria imaginar? Em vez de open-space temos os mind-spaces, ainda mais opens e virtuais.

Agora eu estou aí, correndo atrás. Eu que já menosprezei blogs não passo mais de dois dias sem postar. Estou lá, jogado no meio dessas mídia social virtuais, tentando criar formas inovadoras de comunicar. Abraçando a nova publicidade. A nova propaganda. Cujos nomes logo, logo estarão obsoletos (?).

A palavra inovação nunca foi tão usada, e atualizar-se constantemente é sinônimo de sobreviver. E daí surgiu uma agência com nome de update, que duvido morrerá cedo.

Mas mesmo grudado nessa teia virtual, não abro mão algumas coisas. O processo criativo está mais dinâmico, mas precisa de maturação. Criatividade ainda precisa de conteúdo e talvez um dos pecadilhos da nova geração seja sobrevoar demais na superfície – especialidade da web, sem aprofundar-se no conteúdo. Conteúdo útil que é difícil de encontrar, mesmo com milhares de blogs e sites por aí.

E não largo a mão do humano, do real, da experiência de fato. Isso é o que dá substrato à mente criativa.

Porque por mais que seja inovador criar para web, é a experiência fora dela (muito mais do que dentro) que traz conteúdo e a faz existir.

Porque a web é formada de pessoas por trás dos cliques. E é para essas que a gente continua a criar.

Festa Digital

Nota rápida: começou segunda, dia 11, e vai até domingo (18/02), na Bienal de São Paulo, o Campus Party um dos maiores (e melhores) eventos de internet e tecnologia. É um oasis real para essa geração digital: são estudantes, empresários, curiosos e pessoas dos mais diversos tipos atrás das últimas inovações tecnológicas digitais, troca livre de conteúdos e entretenimento em rede. Não é à toa que as 3.000 vagas do evento esgotaram-se rapidamente.

Vários blogs abordaram o assunto essa semana, por isso não vou chover no molhado. Vale a pena dar uma navegada em alguns (links lá no final desse texto) para acompanhar o que está acontecendo nos bastidores do evento. Basicamente todos os blogueiros, marketeiros e inovadores de plantão da nova geração estão presentes no evento, dando feedback full and real time pra quem estiver conectado.

Escrevo esse post primeiro porque o _NeoS é um blog sobre inovação e o evento transpira o tema (como ilustra a matéria aí ao lado). Segundo para uma análise: vale a pena ficar atento aos próximos meses, pois eventos desse tipo alavancam criações inovadoras na área e não demora muito para vermos os resultados (práticos) no dia-a-dia. Quem sai de lá, sai com a cabeça cheia de idéias e motivações.

Vale a pena também acompanhar blogueiros como Carlos Merigo do Brainstorm#9, Bruno Allucci do Direto do Forno e outros, diretamente no blog Brasil Digital, da Intel, e ficar a par do que está rolando.


Outros links:

Blog oficial do envento
Blog do convidado
Blogblogs
Revista Mac+
Flicker
YouTube


Fotos: Fernando Cavalcanti