Na crise, dançam os dinossauros

Tem algo bem interessante acontecendo com a comunicação até onde meus cliques chegam. Os clientes estão rompendo grandes contratos com agências tradicionais e investindo na medida em empresas pequenas mas eficientes de Mkt de guerrilha, que estão dando banho em soluções inovadoras para ganho de mercado. Novidade? Nenhuma. Previa-se isso já há muito tempo. Lendo hoje o post no blog sinapses em ebulição criativa minha atenção redobrou para esse fato.

Quem não se reinventar vai dançar. Demorou, mas é fato. Ganham aqueles que acharem seu oceano azul. Criatividade nessas horas é que aparece. E não são anúncios andrógenos para revistas italianas, nem comerciais impecáveis com modelos photoshopadas, mas soluções inovadoras, não convencionais, rápidas e assertivas. Na web, nas praças, nos prédios, na calçada, onde vc menos espera, em harmonia com o dia-a-dia, com o humano, estabelecendo estados de comunicação. Espalhando o inusitado. Agências como a Espalhe estão ampliando o lugar ao sol.

Chega de apenas duplas de criação: todos tem que ser criativos, resolverem problemas, reinventarem a roda. O open space tem que dar espaço também para o mind space, o espaço mental onde todos podem e devem compartilhar idéias. Pé no chão e soluções inovadoras.

Agora, um problemão mesmo são os dinossauros pretenciosos publicitários que não flexibilizam a mudança. E na maioria das vezes condenam o desempenho das agências com essa atitude. Quem já conviveu com esses sabe do que estou falando.

Mas certo como se algo existe está no google, é que nesses momentos de crise que muitos dinossauros acabam dançando. Principalmente os maiores, grandões, meio desengonçados, poderosões sabe? Porque tem muitos meteoros rápidos e improváveis aparecendo por aí (ainda que sobrem algumas baratas). E a gente sabe o que acontece: extinções em massa.

E você? Tá em crise? Parabéns! Te mexe e vai inovar.

Inovação evolucionista – a sapiência que faz evoluir

Nesses tempos onde Darwin está sendo (re)descoberto, muito andam falando de evolução associado à inovação. E parece que a relação é clara: a evolução é impiedosa com quem não inova.

evolucao

Ia escrever esse post falando de nossos primeiros antepassados e focado em inovação, quando li o artigo do Clemente Nobrega, que acompanho sempre na Época Negócios, sobre “A lição da pré-história”. Um pessoal foi pesquisar sobre porque os Neandertais começaram a desaparecer no decorrer de um período de 10 mil anos, justamente na época em que se encontraram com o Homo Sapiens. O resultado: os homo-sapiens souberam utilizar seus conhecimentos genéticos para se adaptar ao “mercado” da época, se especializando no que era essencial a sobrevivência.

Quando a gente fala em evolução, é fácil confundir algumas coisas. Primeiro a idéia que descendemos de macacos. Darwin nunca disse isso, temos sim antepassados em comum. A outra dúvida é de que espécies descendemos? De vários tipos. Não existia apenas um tipo de “homídio”, e sim vários, distintos entre si. Continue reading

Empatas

277152_smiley_face4“I’ve got a feeling, a feeling deep inside, I’ve got a feelling, a feeling that a can’t hide, oh no”

Lembrei dessa música dos Beatles - I’ve gota a feeling, quando escrevia esse post, ela fala da subjetividade do sentimento. E me lembra qualidade de sentimento. Aquele que você sente e ainda não sabe de onde vem ou o que é.

Mas o post é sério: empatia. Ultimamente tenho vivido situações, no trabalho e na vidinha dia-a-dia que me fizeram pensar mais sobre isso. O quanto falta, de fato, entender sobre isso. E mais: viver o fato.

Empatia é a capacidade de entendermos o sentimento alheio. Você chega de manhã, nem olhou para o pessoal na empresa, na sala de aula, ou em qualquer lugar, e já sente o clima. Se está o de sempre, ou mais alegre, mais triste, mais sufocante. Esse “clima”, quem sabe, são as pessoas preenchendo o espaço com seus sentimentos.

Então você percebe tudo isso, significa que tem um bom nível de empatia. Mas o que faz com isso?

Essa característica em pessoas mais instáveis emocionalmente acabam repercutindo negativamente: tomam as dores, passam do limite, inflamam facilmente ou a depressão acontece. Mas pessoas mais autoconscientes de si mesmas são capazes de utilizar a empatia como uma ferramenta essencial no relacionamento humano.

Uma pessoa com ausência total de empatia é um espécie de autista. Não entende o sentimento alheio. Não discerne um olhar triste de um olhar feliz, uma expressão angustiada da tranquillidade evidente.

E aí entra o que me pega. O que me faz pensar bastante sobre isso e tentar buscar um equilíbrio. Porque caras que lideram equipes não podem ser autistas. Ao tomarem decisões que envolvem grupos, muitas vezes ser apenas lógico e racional é pouco. É preciso ser empático para ser assertivo. Essa é outra palavrinha chave, a real assertividade.

Ser um empata é sinônimo de saber lidar com pessoas. Até o herói imaginário Peter Petrelli, o empata da série Heroes tem um poder peculiar ele é capaz de assimilar os poderes alheios, mas na maioria das vezes não sabe lidar com isso.

Joseph Campbell batia nessa tecla quando falava da jornada do herói (está no livro o poder dos mitos, que todo líder deveria ler e refletir a respeito). Durante sua vida, o herói passa por provas que levam ao autoconhecimento, das suas limitações até suas melhores capacidades. Esse entendimento faz com que ele compreenda o universo além dele e o seu papel essencial nesse contexto. Os mitos nascem do que é humano.

Ser empata é essencial hoje como sempre foi na história humana, seja para contribuir na evolução das massas, seja para impedir de acabar em um calabouço (ou fogueira).

Em relação ao mundo dos negócios essa capacidade faz toda diferença, pois tratam-se pessoas. Sejam as que irão usufruir do serviço, produto ou inovação; sejam os que estão envolvidos diretamente no seu processo criativo. Esses últimos, a equipe criativa, é a manifestação humana da idéia em movimento.

É a empatia, em última instância, que irá criar um bom clima de trabalho. Criativo. Inovador. E é com base também nela que decisões deveriam ser tomadas. É preciso considerar o equilíbrio entre as necessidades de cada um e de todos, enquanto sistema humano. Necessidades, não desejos. O que é real, não caprichoso. O que realmente motiva uma evolução positiva.

Pessoas que não tem a capacidade de entender o outro em seu limiar, deveriam ficar longe dos cargos de liderança. São pessoas tão importantes quanto qualquer uma no contexto geral, mas a essas deixe-os tratarem das máquinas, dos processos impessoais. Pessoas e sentimentos devem ser tratados por pessoas com sentimentos (e discernimento).

Isso elimina os padrões repetitivos de comportamento, a rigidez que impede o novo de aparecer. Por isso o primeiro passo para ser inovador é reconhecer limites para superá-los, e suas necessidades, para que elas tanto nos motivem quanto deixem de ser impecilhos para o avanço.

É aí que nos abrimos para a mudança, que damos asas à verdadeira inovação, aquela que começa a partir de uma necessidade real, de um, dois ou de todos. Por isso que estar receptivos às diferenças e compreender o outro em sua particularidade é fundamental.

Então grandes parcerias surgem, projetos se complementam, objetivos em comum levam a grandes avanços, tirando-nos de nosso mundinho, pequeno, ansioso e solitário.

Inovação implica em interação. É a interação que gera evolução positiva e avanço humano. E de nada vale a inovação sem o humano. Ser empático é ser inovador.

Pois tudo é pessoal quando se é uma pessoa.

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